O Dispositivo Intrauterino, conhecido popularmente como DIU, é um método contraceptivo de longa duração, seguro, eficaz e reversível. É uma excelente alternativa para mulheres que desejam evitar uma gestação, com a vantagem de não precisar de uso diário, como acontece com a pílula anticoncepcional.
Mas, apesar de ser cada vez mais conhecido, muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre como o DIU funciona, quais são os tipos disponíveis, se há contraindicações e, principalmente, quem pode colocá-lo com segurança.
Neste artigo, você vai entender:
- O que é o DIU e como ele age;
- As principais diferenças entre os tipos hormonais e não hormonais;
- Vantagens e desvantagens de cada modelo;
- Como é feita a inserção;
- Por que apenas profissionais capacitados devem realizar o procedimento.

Tabela de conteúdo
- O que é o DIU?
- Qual médico faz colocação de DIU?
- Como o DIU funciona?
- Principais diferenças entre DIU hormonal e não hormonal
- Tipos de DIU disponíveis no Brasil
- Vantagens do uso do DIU
- Desvantagens e efeitos colaterais
- Como é feita a inserção do DIU?
- Por que o DIU deve ser colocado por um profissional capacitado?
- Quem pode usar o DIU?
- DIU e fertilidade
- DIU e prevenção de doenças
- Efeitos colaterais mais comuns
- Contraindicações ao uso do DIU
- Vantagens gerais do DIU
- Considerações finais
O que é o DIU?
O DIU é um pequeno dispositivo em formato de “T” que é inserido no interior do útero com o objetivo de prevenir a gravidez. Ele atua de forma local, interferindo nos processos naturais que permitiriam a fecundação do óvulo.
Existem dois tipos principais de DIU:
- DIU não hormonal – também chamado de DIU de cobre ou prata
- DIU hormonal – que libera o hormônio Levonorgestrel, semelhante à progesterona.
Ambos são altamente eficazes, com taxas de falha inferiores a 1%, o que os coloca entre os métodos contraceptivos mais seguros disponíveis atualmente.
Qual médico faz colocação de DIU?
O médico especialista em inserção de DIU é o Ginecologista, com especialização reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). Dra Bianca Bocchi é médica Ginecologista especialista em Cirurgias Ginecológicas e inserção de DIU em São Paulo.

Para agendar uma consulta com especialista em inserção de DIU é importante saber quais são as opiniões de outros pacientes que consultaram. Dessa forma, o site Doctoralia é excelente para você ver avaliações sobre um médico ginecologista.
Como o DIU funciona?
DIU de Cobre (Não Hormonal)
O DIU de cobre libera íons de cobre no interior do útero, criando um ambiente inflamatório leve e hostil aos espermatozoides. Isso impede a mobilidade e a viabilidade dos espermatozoides, dificultando a fecundação.
DIU de Prata (Não Hormonal)
O DIU de prata é uma evolução do tradicional DIU de cobre, oferecendo benefícios adicionais para quem busca um método contraceptivo não hormonal. Ele também é conhecido como DIU de cobre com núcleo de prata, e mantém o mesmo formato em “T”, sendo inserido no útero da mesma forma que os outros dispositivos. Assim como o DIU de cobre, o DIU de prata atua liberando íons de cobre que alteram o ambiente uterino, tornando-o hostil à movimentação dos espermatozoides e impedindo a fecundação. A diferença é que o núcleo de prata estabiliza o fio de cobre, reduzindo a fragmentação do cobre ao longo do tempo.
DIU Hormonal
O DIU hormonal libera gradualmente o hormônio levonorgestrel diretamente no útero. Esse hormônio:
- Engrossa o muco cervical, dificultando a entrada dos espermatozoides;
- Afina o endométrio, tornando-o menos receptivo à implantação;
- Pode inibir a ovulação em algumas mulheres.
Principais diferenças entre DIU hormonal e não hormonal
| Característica | DIU de Prata ou Cobre | DIU Hormonal |
|---|---|---|
| Duração média | 5 a 10 anos | 5 a 8 anos |
| Presença de hormônio | Não | Sim (Levonorgestrel) |
| Efeito sobre o ciclo menstrual | Pode aumentar o fluxo e cólicas | Pode reduzir o fluxo e aliviar cólicas |
| Indicado para quem? | Mulheres que não desejam ou não possam utilizar hormônios | Mulheres com cólicas, fluxo menstrual intenso, endometriose, adenomiose, miomas, hiperplasia endometrial |
| Contraindicações principais | Alergia ao cobre, sangramentos intensos, histórico de cólicas | Câncer de mama |

Tipos de DIU disponíveis no Brasil
DIU de Cobre
Multiload® e TCu 380A®: conhecidos por sua durabilidade e eficácia. Atua liberando íons de cobre, que são tóxicos aos espermatozoides, dificultando a fecundação.
Vantagens:
- Duração: até 10 anos
- Não interfere nos hormônios naturais da mulher
- Método reversível
Desvantagens:
- Pode causar aumento do fluxo menstrual e das cólicas
- Contraindicado para mulheres com anemia severa ou sangramentos intensos e histórico de cólicas ou doenças como endometriose, adenomiose, miomas, hiperplasia endometrial.
DIU com Prata
Combina cobre e prata para reduzir efeitos adversos e aumentar a estabilidade do dispositivo. É um dispositivo não hormonal com benefícios adicionais em relação ao DIU de cobre tradicional.
Como funciona?
- A prata estabiliza o fio de cobre, reduzindo a fragmentação e oxidação do cobre ao longo do tempo.
- Essa combinação reduz o risco de inflamações exageradas no endométrio e torna o dispositivo mais tolerável para algumas mulheres.
Vantagens:
- Menor taxa de oxidação do cobre
- Menor risco de efeitos adversos como cólicas intensas e fluxo aumentado
- Alta eficácia contraceptiva
- Duração média: até 5 anos
Indicações:
- Mulheres que preferem métodos não hormonais
- Pacientes que não se adaptaram ao DIU de cobre puro
- Desejo de contracepção de média duração com boa tolerabilidade
DIU Hormonal
Mirena®: Levonorgestrel 52mg liberado diariamente em pequenas doses por até 5 anos (nos EUA já é utilizado por até 8 anos), com grande eficácia e benefícios no controle do sangramento.
Kyleena®: versão com menor dose hormonal, Levonorgestrel 19,5mg liberado diariamente em pequenas doses por até 5 anos, ideal para mulheres que ainda não tiveram filhos, pois seu tamanho é menor e causa menos incômodo.
Como funciona?
- Engrossa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides
- Pode inibir parcialmente a ovulação
- Atrofia o endométrio, dificultando a implantação do embrião
Vantagens:
- Redução do fluxo menstrual
- Melhora de cólicas menstruais
- Tratamento adicional de patologias como endometriose, miomas, adenomiose, hiperplasia endometrial e sangramentos disfuncionais
Desvantagens:
- Pode causar efeitos colaterais hormonais (acne, alterações de humor)
- Custo mais elevado
Vantagens do uso do DIU
- Alta eficácia anticoncepcional (acima de 99%);
- Método de longa duração, dispensando uso diário ou mensal;
- Reversível: fertilidade retorna após a retirada;
- Conforto e praticidade: sem necessidade de lembrar de tomar medicamento;
- Pode ser usado durante a amamentação;
- DIU hormonal auxilia no controle de cólicas e fluxos menstruais intensos.
Desvantagens e efeitos colaterais
- DIU de cobre e prata: pode intensificar cólicas e aumentar o volume menstrual nos primeiros meses;
- DIU hormonal: pode causar escapes (pequenos sangramentos aleatórios), sensibilidade nas mamas, alterações de humor, acne e aumento da oleosidade da pele;
- Pequeno risco de expulsão espontânea (principalmente nos primeiros meses);
- Em ambos os tipos, eventualmente, pode ocorrer perfuração uterina durante a colocação e causar infecção uterina.

Como é feita a inserção do DIU?
A inserção do DIU é um procedimento de baixa complexidade, pouca duração e pode ser realizado tanto em ambiente ambulatorial, quanto em centro cirúrgico sob sedação, exige preparo adequado e deve ser feito exclusivamente por profissional habilitado, como ginecologista, pois há risco de perfuração uterina se desconhecer a anatomia uterina.
Etapas da colocação:
- Avaliação ginecológica prévia – inclui exame físico, coleta de exames laboratoriais e ultrassom transvaginal;
- Escolha do tipo mais adequado ao perfil da paciente
- Realização do procedimento – com uso de espéculo e instrumentos apropriados, inserido pela vagina, passa pelo canal do colo uterino e adentra a cavidade uterina até atingir no fundo. Dura no total de 5 a 10 minutos;
- Orientações pós-procedimento – repouso relativo, evitar relação sexual nos primeiros dias e retorno para reavaliação. Utilizar preservativos até liberação pela médica.
- Acompanhamento com ultrassonografia transvaginalpara confirmar a posição correta
É necessário anestesia?
Na maioria dos casos, utiliza-se apenas analgesia simples via oral e anestesia local. Em mulheres que nunca engravidaram ou com útero sensível à dor, pode ser indicado um preparo mais cuidadoso, como sedação em centro cirúrgico sob monitorização e auxílio de um médico anestesista. Pode causar dor pélvica e cólicas intensas no momento da inserção, além de queda de pressão e desmaio em pessoas mais sensíveis.
Importante: A posição incorreta do DIU pode causar falha contraceptiva, dor intensa ou perfuração uterina. Por isso, nunca tente realizar esse procedimento com profissionais não capacitados.

Por que o DIU deve ser colocado por um profissional capacitado?
Apesar de ser um procedimento ambulatorial, a colocação do DIU requer:
- Conhecimento anatômico detalhado;
- Técnicas assépticas adequadas;
- Avaliação da posição, tamanho e inclinação do útero;
- Capacidade de manejar intercorrências, como dor intensa, síncope ou sangramento.
A colocação inadequada pode levar a:
- Expulsão precoce;
- Perfuração uterina;
- Ineficiência do método;
- Infecções pélvicas.
Portanto, o DIU NUNCA deve ser inserido sem a presença de uma ginecologista treinada.
Quem pode usar o DIU?
O DIU pode ser usado por mulheres:
- Com vida sexual ativa;
- Que desejam contracepção a longo prazo;
- Que não podem ou não querem usar métodos hormonais orais;
- Em pós-parto (com avaliação médica);
- Durante a amamentação;
- Com contraindicação ao estrogênio;
- No período do climatério/menopausa, o DIU hormonal é um ótimo aliado na terapia de reposição hormonal para proteção endometrial (camada interna do útero) aos efeitos do estrogênio
Não é necessário ter tido filhos para usar o DIU, apesar de ainda persistir esse mito entre pacientes e até alguns profissionais.
DIU e fertilidade
Uma das maiores vantagens do DIU é a reversibilidade. A fertilidade retorna assim que o dispositivo é removido. Ao contrário do que muitos pensam, o uso do DIU não causa infertilidade, desde que não haja complicações infecciosas ou doenças associadas.
DIU e prevenção de doenças
Importante ressaltar que o DIU não previne doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Portanto, o uso de preservativo é fundamental, principalmente em relações com múltiplos parceiros ou em novas parcerias.
Efeitos colaterais mais comuns
- Cólicas nos primeiros dias após a inserção
- Sangramento intermenstrual nos primeiros meses
- Aumento do fluxo menstrual (DIU de cobre/prata)
- Amenorreia ou sangramento escasso (DIU hormonal)
Esses sintomas tendem a melhorar com o tempo. Caso persistam, o acompanhamento ginecológico é fundamental.
Contraindicações ao uso do DIU
- Infecções ginecológicas ativas (DSTs não tratadas)
- Alterações anatômicas uterinas (miomas que distorcem a cavidade, por exemplo)
- Gravidez confirmada
- Sangramentos uterinos anormais sem causa diagnosticada
- Alergia ao cobre (para DIUs não hormonais)
- Câncer de mama
Vantagens gerais do DIU
- Alta eficácia contraceptiva (>99%)
- Longa duração (5 a 10 anos)
- Praticidade (não requer lembrança diária)
- Método reversível: fertilidade retorna logo após a retirada
- Pode ser usado em mulheres nulíparas (sem filhos)
- DIU hormonal é aliado na terapia de reposição hormonal no climatério e menopausa
- Tratamento de sangramentos uterinos anormais, adenomiose, endometriose, hiperplasia endometrial
Considerações finais
O DIU é um método moderno, seguro e eficaz de contracepção de longa duração. Com diferentes modelos disponíveis, tanto hormonais quanto não hormonais, pode ser adaptado ao perfil de cada mulher. A escolha do DIU ideal depende do perfil clínico e dos objetivos da paciente. Enquanto o DIU de cobre e o de prata são ótimas opções para quem busca um método sem hormônios, o DIU hormonal traz benefícios adicionais para quem sofre com fluxo intenso ou cólicas menstruais.
Independentemente do tipo, a avaliação ginecológica detalhada é indispensável para garantir a eficácia e a segurança do método. A automedicação ou inserção por profissionais não capacitados pode trazer riscos graves à saúde. A inserção segura do DIU só é possível com o acompanhamento de um profissional qualificado. Evite colocar por conta própria, em locais não médicos ou sem o preparo adequado. Cuide do seu corpo com responsabilidade.
Dra. Bianca Bocchi é médica ginecologista e especialista em inserção de DIU. Agende uma consulta para ter avaliação individualizada, investigação integral sobre seu caso e receber e tratamento específico.

Ginecologista especialista em inserção de DIU